O acordo entre o Governo e o Partido Social Democrata que abriu caminho à tão desejada reforma na Justiça, deixou Marques Mendes eufórico e passou a querer falar mais alto do que a sua estatura (ou estrutura) permite.
O líder do PPD/PSD de imediato passou, em tudo o que era visita ou encontro onde estivesse a Comunicação Social, a dizer o que queria e o que convinha para a sua estratégia que tem como objectivo as próximas eleições legislativas.
E como a melhor defesa é o ataque, Marques Mendes disse a José Sócrates, esta semana, no Parlamento, aquando da discussão sobre a Segurança Social: “O seu problema não são as contas. O senhor tem um congresso à porta e tem alguma Esquerda à perna e por isso não tem coragem para mudar o modelo”.
E não deixa de ter razão, o aguerrido dirigente social democrata.
E enquanto andarmos a ser dirigidos por pessoas que colocam os seus objectivos de carreira política dentro do partido à frente dos interesses do Estado, os portugueses continuam a sofrer na pele as dificuldades que só eles conhecem.
Uma coisa é certa. Por muito que o Governo, o PSD e aqueles senhores que falam, falam, mas não se comprometem com Portugal, nos queiram convencer de que irá faltar, dentro de alguns anos, dinheiro para as reformas, nós sabemos que iremos continuar a descontar e estamos a correr o risco de ter de trabalhar cada vez até mais tarde.
Milhares de trabalhadores vêem os seus postos de trabalho desaparecer e não há perspectivas para que essa situação seja invertida.
Os jovens têm cada vez mais dificuldade em arranjar trabalho e, por conseguinte, começam a descontar para a Segurança Social cada vez mais tarde, o que leva a que cheguem a velhos com uma carreira contributiva curta.
E, assim sendo, cada vez entram menos descontos, pois as empresas não tendo de pagar salários não têm de entregar a sua parte na Segurança Social.
E assim o saco vai esvaziando.
O Governo diz que foram criados milhares de postos de trabalho. Onde?
Publicado por dizerbem em setembro 28, 2006 11:57 PM